Cyber Segurança é diferencial competitivo ainda maior em tempos de IA Coding

Fosso seguro. Por que Cyber Security ainda importa em tempos de IA?

Cyber Segurança é diferencial competitivo ainda maior em tempos de IA Coding

Lucas Carmo

Fundador da FlowCode

A IA generativa prometeu democratizar a criação de software. Hoje, uma pequena equipe pode construir um aplicativo financeiro conectado ao Open Finance, um sistema de gestão hospitalar ou uma plataforma educacional — coisas que antes exigiam anos e milhões. A barreira técnica caiu drasticamente.

Mas existe um fosso que permanece: a cyber segurança. E em vários setores, é justamente isso que mantém os players estabelecidos relevantes.

O Exemplo Clássico: Finanças

Pense nos bancos. Com APIs abertas e ferramentas de IA, criar um app que agrega contas, categoriza gastos e oferece insights financeiros ficou acessível. A interface pode até ser superior. Mas na hora de depositar o salário, a maioria ainda escolhe instituições conhecidas.

Não é nostalgia. É que essas instituições investiram décadas construindo sistemas de segurança em camadas, times especializados em fraude, seguros robustos e processos de compliance. Quando algo dá errado — e eventualmente dá — eles têm estrutura para lidar com as consequências.

O padrão se repete

Na saúde, startups criam ferramentas interessantes de análise e agendamento. Mas hospitais e clínicas estabelecidas ainda controlam os prontuários porque uma brecha ali tem consequências graves: exposição de diagnósticos sensíveis, dados psiquiátricos, histórico de medicamentos. O custo reputacional e legal de um vazamento é brutal.

No varejo online, todos conseguem criar lojas com recomendações inteligentes. Mas empresas como Amazon ou Mercado Livre dominam porque construíram uma reputação de segurança onde milhões confiam seus dados de pagamento. Quando uma loja pequena sofre um ataque, você cancela o cartão e segue em frente. Quando acontece com um gigante, vira escândalo.

Em serviços corporativos (contabilidade, jurídico, RH), ferramentas com IA podem automatizar várias tarefas. Mas empresas hesitam em confiar dados sensíveis — folha de pagamento, contratos estratégicos, informações fiscais — para startups sem histórico comprovado de segurança.

Por que isso importa?

A IA criou uma assimetria interessante. Por um lado, facilitou a construção de produtos. Por outro, também facilitou ataques: phishing mais convincente, automação de invasões, exploração de vulnerabilidades em escala.

Defender-se disso requer investimento contínuo que não aparece no produto final. São equipes especializadas, certificações como ISO 27001, auditorias externas, sistemas de backup redundantes, seguros contra crimes cibernéticos. Um banco médio gasta dezenas de milhões por ano só mantendo essa estrutura funcionando.

Startups podem inovar rápido nas funcionalidades, mas construir essa camada de proteção leva tempo e dinheiro. Não é impossível — várias fintechs, healthtechs e empresas novas conseguiram — mas definitivamente não é instantâneo.

Barreira menor?

Vale dizer: nem todo setor tem esse fosso. Em áreas onde os dados são menos sensíveis ou o risco é menor, a cibersegurança não funciona como barreira competitiva tão forte. Plataformas de conteúdo, ferramentas de produtividade, aplicativos de entretenimento — aí a inovação realmente se democratizou.

O ponto é: quanto mais sensível o dado ou crítica a operação, mais a segurança vira diferencial. E nesses casos, empresas estabelecidas mantêm vantagem significativa não por serem melhores em IA ou experiência do usuário, mas por terem investido anos construindo algo menos visível porém essencial: confiança testada pelo tempo.

O equilíbrio necessário

A IA não mudou uma regra fundamental: na cibersegurança, o atacante precisa acertar uma vez, o defensor precisa acertar sempre. Empresas novas podem ser ágeis e inovadoras, mas em setores regulados ou que lidam com informações sensíveis, elas precisam encontrar formas de construir essa camada de proteção sem perder velocidade.

Algumas conseguem através de parcerias com empresas especializadas em segurança, certificações aceleradas ou foco em nichos menos sensíveis inicialmente. Outras simplesmente aceitam que crescer nesses mercados será mais lento que em setores menos regulados.

O fosso da segurança não torna inovação impossível. Apenas garante que, em certos setores, velocidade sozinha não basta — é preciso combinar agilidade com responsabilidade. E isso, por enquanto, continua sendo uma vantagem de quem já está no jogo há mais tempo.

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